terça-feira, 29 de julho de 2008

Romantismo

O que é para vocês ser romântico? Flores? Cartas? Perfumes? Amo-tes? Corações? Pétalas? Morangos? Fotografias?
Se é aquela a vossa noção de romantismo, na minha humilde opinião estão completamente errados.
Ser romântico é algo mais. Claro que não sou especialista nestas andanças, mas a experiência que fui acumulando ao longo dos tempos já me permite falar um bocadinho sobre isto.
Pela definição o romantismo retrata o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Bocage, Delacroix, Chopin, Beethoven, Garret, Novallis e Turner são expoentes máximos desta corrente. Ou seja vamos esquecer esta definição histórica de romantismo e vamos aplicá-lo ao nosso dia-a-dia. Se calhar não defini bem o nome. Vamos trocar para romance.
Sou sincero, não sou dado a grandes manisfestações físicas ou intelectuais, daí não sou expressivo ao ponto de andar a dizer ao mundo que o amo, agarrado às árvores, a cheirar a relva e colher flores. Não, tenho uma visão muito mecanicista do mundo. O mundo é uma bola achatada que roda, roda e roda em volta do Sol e que mais cedo ou mais tarde vai acabar por desaparecer. Para mim tudo é efémero e tudo resulta de evolução, portanto, não respeito o que me rodeia como coisas dignas de veneração. Acredito que tudo é útil e que tudo pode servir os meus ideais e é daí que surge o meu respeito. Geralmente, há dias que isto não acontece, o mundo para mim é material e não me perco em deambulações filosóficas. Acho que se me perdesse ia acabar como o Hemingway pendurado numa árvore pelo pescoço.
A visão que eu tenho sobre o mundo estende-se ao romance. Claro que nunca encontrei a alma gémea se não, não estava a falar assim, mas também duvido que a exista. Há dias que acredito, outros nem por isso. Romance é efémero: se durar, dura uma vida, não mais. Não sei se se prolonga depois disso mas, é matéria para outra discussão.
Para mim o amor embora exista, não é vendado nem cego. Amor é feito de momentos bons e maus. É agarrar-nos áquilo que gostámos e esquecer o que não gostámos. São momentos que ficam e nos levam a gostar da pessoa. Geralmente, passado algum tempo os maus momentos sobrepôem-se de tal forma aos bons momentos que não aguento a companhia da pessoa em questão. Tenho o dom de ter uma péssima memória para nomes, datas e matéria escolar, mas uma óptima memória para maus momentos. Digámos que os consigo reviver na mente de uma forma muito viva.
Para mim romance é:

Gostar dela de manhã, mal acordo, dizer não sem qualquer ressentimento, um bom serão passado num inverno em frente à lareira, conversar de uma forma que me dê prazer, gostar de dormir com ela, ler em silêncio, ter uma discussão acesa de quando em vez para reavivar instintos, não falar só por falar, discordar, passear na praia no fim da tarde horas a fio, andar de carro numa noite gelada, ficar dias sem nos vermos, dar espaço um ao outro, nada de contactos a toda a hora por telemóvel ou internet. Romance é calma, é raiva de vez em quando, não é amor, é adorar e dizer gosto de ti sem qualquer segunda intenção e apreciar cada pequenino defeito que no início nos parece inultrapassável mas que acaba por ser motivo de adoração.

Cada vez é mais difícil encontrar este tipo de relação. Aliás, não sei se alguma vez foi fácil, se calhar não. Só sei é que enquanto não tiver algo deste tipo não vou ficar satisfeito. Ora e romance é isso mesmo, é procurar a satisfação individual e do casal. Mas acho que a individual primeiro. Já diz o ditado que se eu não gostar de mim quem gostará? Se eu não estiver satisfeito como posso satisfazer os outros?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O Diabo pode chorar


Detesto traduções do inglês tão literais. No entanto, adoro uns joguinhos de vez em quando. Quem não gosta? Muita gente diz que não mas, lá no fundo gostam, só ainda não encontraram o certo. Podem encontrá-lo um dia mais tarde em pleno Casino e aí sim tenham medo. No meu caso fico-me por casa em frente ao computador e gosto bastante.
Bem, acabei de passar até ao fim Devil May Cry 4. Digo-vos que não é o meu tipo de jogo, definitivamente. Não precisam de pensar, só têm que dar porrada a torto e a direito sem dó nem piedade. Disso eu não gosto. Incrivelmente, deste gostei. O que me cativou? É isso que eu quero ver e analisar. Pode ser que um dia mais tarde encontre utilidade neste texto.
Novidades. Cada nível, trazia novas armas, novos movimentos e capacidades e é muito giro estar à espera do inesperado. Aqui este jogo foi infalível.
Dificuldade crescente. A dificuldade é crescente em todo o jogo, sendo os últimos níveis muito trabalhosos. Mas nunca foi difícil ao ponto de nos levar a desistir. Tudo bem que eu tenha desistido uma vez, mas nem sempre tenho pachorra para isto.
Gráficos. A beleza gráfica do jogo é enorme. Não digo mais nada. Só sabe quem já jogou isto num computador com boa capacidade gráfica. Os detalhes são fantásticos. Também se come com os olhos já dizia a minha mãe.
Modernidade. Trate-se de um jogo actual, e todos gostámos de ter aquilo que está na moda.
História. Aqui sim vamos parar um bocadinho. O intercalar de cenas de grande acção, totalmente psicadélicas com pequenos excertos de um filme é fenomenal. Continuei a jogar horas só para ver o que ia acontecer a seguir no enredo do jogo, e que enredo. Bem, não é impressionante nem uma obra de arte contemporânea, mas é muito cativante para quem como eu tem um bocado de imaginação e na maioria das vezes se deixa levar no bonito sabor do vento dramático.
Foi o que me aconteceu, deixei-me levar pela história, ao ponto de a uma ou duas horas do final do jogo ter dito a mim próprop que o ia acabar porque queria ver o fim da história de ódio entre Nero e Dante e de amor entre Nero e Kyrie. Mais não conto, porque podia estar aqui a estragar a história a alguns gamers.
Enfim, recomendo vivamente este jogo, a quem como eu, tem dentro de si um espírito um bocadinho lançado nesta andaça dos jogos.

Filmes

Este fim de semana tive oportunidade de rever dois filmes: Astérix et Obélix: Mission Cléopâtre e Batman and Robin. Bem, ambos marcaram a minha infância.
Batman de 97, foi o primeiro, tinha eu...8 anos vejam lá. Digámos que o vi com 10 anos, já não me lembrava mesmo. Claro que o tempo passou e os efeitos especiais já são outros, mas verdade seja dita, ainda está muito mas muito bom tendo em conta a época em que foi feito. Depois ver actores como o Clooney, Schwarzenegger, Uma Thurman, Alicia Silverstone, Chris O'Donnel e Elle Mcpherson todos juntos num filme é qualquer coisa de fascinante. Tempos em que alguns deles ainda não tinham alcançado o renome, digo-vos no entanto, que Clooney e Uma Thurman, que estão no meu top de acotres favoritos, estão ao nível de hoje neste filme. Brilhantes. Ok, tudo bem que não é o filme mais cultural, mais bem realizado e já foi triturado muitas vezes, mas é um dos filmes da minha infância...Gotham City, Batman, Robin, Batmobile, Batcave vão estar para sempre no meu imaginário e este filme é para mim sem dúvida aquele que melhor retrata a escuridão, a devassidão e a corrupção da perigosa Gotham City. Que fantástica cidade desenhada Bob Kane e Bill Finger...memórias dos quadradinhos, de livros emprestados, outros no sotão...
Por outro lado Astérix tira-me sempre umas boas gargalhadas. Mais dois que pertencem ao meu top de actores num filme e temos o que eu considero outra grande produção. Que digo? Foi mesmo uma grande produção. Depardieu é como sempre genial, divertido, sério, enfim...bom actor, Belluci é linda de morrer, a língua francesa nela cai a matar e...nada...para mim é fantástica. A mulher de uma vida, sim, para mim é o primeiro nome que me vem à cabeça quando defino mulher ideal. Curiosamente conheço alguém muito parecida, parecida pois está claro, porque Monica é Monica. Sim, podem sentir inveja de qualquer forma. Mas de quem eu sinto mais inveja claro está é de Alain Chabat (Cesar) que tem aquele momento final de privacidade com Monica Belluci. Sorte? Não sei. Mas que gostava de estar no lugar dele gostava.
Para elas claro: Clooney, para nós e especialmente para mim: Belluci. Ponto final.

Livros


Sei muito bem que as férias para muito já começaram há muito tempo, infelizmente para mim tenho tido que fazer e tenho tido pouco tempo para as coisas que gosto de fazer.Nos livros que li desde fins de Junho estão:
Milagre de São Francisco de Steinbeck;
Cidade e as Serras de Eça;
O sol nasce Sempre (Fiesta) de Hemingway;
A caixa com forma de coração de Joe Hill;
Boca do Inferno do Ricardo Araújo Pereira.
Sei que não são muitos nem nada de especial em termos de literatura, mas para quem passou 9 meses a ler canhenhos de física e economia o regresso da realidade para o imaginário da leitura é complicado e muito, muito maçador. Não por poucas vezes fechei o livro e perguntei a mim próprio que maçada era aquela que estava a ler que nem tinha correspondência com a realidade. Ler é também uma questão de perseverança, aliás acho que até é muito isso. Afinal de contas os livros não são perfeitos: há partes que gostámos e outra que não. Portanto é preciso agarrarmo-nos àquilo que gostámos e tentar estar atento nas partes que não nos interessam.
Regressando aos livros os que mais gostei foram o Milagre de São Francisco e Cidade e as Serras.
O primeiro é um conjuntinho de histórias e de aventuras de um grupo de amigos na actualidade do séc XIX presumo eu, em pleno São Francisco, quais cavaleiros da Távola Redonda. É uma história de amizade, daquelas amizades profundas e vantajosas para todos entre maltrapilhos, com tendência para a deliquência. Neste livro, da decadência da moral, surge uma bonita história de amor sem fim pelo próximo, surge a amizade como todos a idealizámos. Recomendo vivamente, para quem quer ler algo profundo mas leve e que queira divertir-se um bocado com a desgraça alheia de um monte de personagens entregue aos bichos. Se alguém o ler depois que me diga quanto vale um garrafão de vinho por favor.
A cidade e as Serras nem é preciso falar, tenho pena de nunca o ter lido antes, sei que é uma leitura obrigatória, mas só agora o comprei e só agora tive finalmente tempo para o ler. Pois bem, adorei, é um livro uma vez mais revelador do génio de Eça e da cultura do mesmo. Há uns tempos pedi para uma pessoa, de cultura muito vasta, me descrever Paris, na altura era algo deste tipo que eu estava à espera e não obtive, o que só veio provar que Eça é muito mais genial do que um simples mortal. A forma como ele escreve e descreve causa arrepios mentais.
Sou também sincero, encontrei-me naquele livro como uma personagem e foi fascinante ver como as semelhanças eram tão grandes comigo. Fiquei fascinado. Entretanto, fiquei triste também, porque fiquei ainda com uma noção maior que nunca vou ser tão genial ou escrever tão bem como senhores deste calibre, o calibre do início do séc XX reflectido em Eça e Pessoa.
Quanto aos outros livros, gostei da leitura ligeira, dentro do domínio do drama e do terror do livro de Joe Hill, mas não passou de uma leitura em forma de divertimento do qual não tirei nenhum resultado prático, incluo o de Hemingway, estava à espera de mais, mas a tradução também não me pareceu bem feita e não lhe dei a devida atenção na leitura. Mais um para reler daqui a uns anos. Quanto ao do Ricardo já aqui tinha dito o que julgava e não me vou alongar.
Resumindo, para quem quer uma leitura divertida, mas bem escrita e com um sentido moral, Steinbeck, para quem quer fazer uma viagem por Paris do século passado e pela ruralidade portuguesa num misto de descrição pormenorizada e culturalidade Cidade e as Serras. Os outros não recomendo por aí além mas, como dizem que o saber não ocupa lugar, leiam, leiam muito.
Entretanto vou a meio d'O Castelo do Kafka, quando acabar digo-vos alguma coisa.

domingo, 27 de julho de 2008

Feather


Sim, se me pedissem para caracterizar os Radiohead numa palavra, a palavra era essa: Feather.
Estava a ouvir a Scotch Mist, ou melhor, estou outra vez a ouvir, uma espécie de clip caseiro com as músicas do novo albúm.
A verdade é que sou um fã enorme do Tom Yorke, aquele ar sempre cansado, como quem esteve em palco 24 horas seguidas, a forma como ele se contorce com a música e se deixa levar...Dizem que tudo é imagem, e que só vende o que tem uma boa imagem, e que Radiohead é imagem, e que Radiohead vende porque tem imagem, pois eu estou pouco importado com a imagem. Se todos fossem assim, ou melhor, se todos transmitissem os ideais que eles transmitem, sentia-me eu muito feliz.
Mas, há sempre um mas, o que significam as letras? Não sei. Talvez esteja aí a piada. Tanto podem estar relacionadas com astrologia, metafísica ou ecologia. Tanto me faz, gosto das letras, mesmo que não tenham uma ligação ao mundo real. E que importância tem isso por fim? Eu acho que nenhuma, afinal a música é e deve ser acima de tudo uma actividade espiritual e não material ou palpável.
Porquê feather? Porque é leve, já há 20 anos que segue com o vento a direcção da modernidade, a música é angelical e delicada, não passa de moda e no entanto encontrámos tantas bandas que tentam imitar aquilo que não é imitável. Assim é com as penas artificiais.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Sexo



Antes de tudo pausem tudo o que estão a ouvir e ponham a tocar o vídeo de cima enquanto leêm este post por favor. Foi escrito a pensar nisso.
Há algum tempo no Fugem escrevi que de momento andava a idolatrar os Queens. Continuo. O que tem isto a ver com sexo? Já vamos ver.
Curiosamente e digo-vos isto sinceramente, não sou apreciador de sexo. Ponto final, mas não fim de texto, nem sequer de parágrafo. Não, não sou gay, não, não tenho nenhum trauma. Quando digo que não gosto de sexo é realmente uma verdade, primeiro porque nunca encontrei aquela rapariga que me fizesse subir aos píncaros, sempre foi aquela actividade que estragou as minhas relações porque a partir do ponto em que temos sexo com alguém, passa a haver uma cumplicidade que eu no geral não suporto. Mas realmente, daí a dizer que não sou apreciador é um exagero. Ok, retiro o que disse. Não gosto de sexo nos moldes actuais.
As pessoas encaram o sexo como necessário, extremamente saudável e satisfatório para os dois. "Não há nada que dê mais prazer do que sexo." Mentira! Primeiro o sexo tornou-se numa coisa banal, sexo para cima, sexo à sexta, sexo ao domingo, sexo de manhã, sexo de noite, sexo na rua, na cozinha, na casa de banho, sexo, sexo e mais sexo. Chamem-me velho mas isso não é para mim. Retrógado talvez, mas o que eu não gosto é de fazer sexo só para satisfazer as minhas necessidades. Sexo envolve mais que isso. Coisa que a maioria não percebe. Sexo é sedução, é paixão, é exercício, atlético e emocional, é ódio e amor. Um misto de emoções que caiu na banalidade. Agora, sexo é sexo, carnal e incongruente. Disso eu não gosto.
Então a facilidade com que hoje em dia se tem relações sexuais assusta-me. O que digo? Para mim é óptimo, quando quero como quero. Que posso eu desejar mais? Nada, ou melhor, muito!
Sou insatisfeito por natureza e fazê-lo por fazer não é "a minha cena". Isso é de outras gerações mais novinhas que antigamente fumavam tabaco e ganzas para se afirmarem socialmente, agora fazem sexo com a mesma intenção. Eu como não preciso disso pare me afirmar, olho para eles e acho tudo o que fazem estúpido.
Onde é que está a emoção de despir alguém com amor? De tomar banho juntos lentamente retirando prazer de cada momento? E aquele deitar cansado depois de o termos feitos 2 ou 3 vezes? E o acordar de manhã com alguém do lado? Ver aquele sorriso estúpido na cara da vossa parceira\o que é um espelho do vosso...Hummm...sabe bem. Agora faz-se e:
Tass bem? Ya, Bem vou bazar, Na boa, Fica bem.
Já não há despedidas no vão da porta que acabam em mais uma rapidinha. Já não há beijos apaixonados. Não! Não há nada! Eu recuso-me a ter sexo só para dizer que tenho e que sou fixe e tal.
Chamem-me machista, conservador, retrógado, mas tem que existir um certo mistério em volta do sexo, sim, sexo é misticismo, não são reacções hormonais e muito menos relações carnais para fins procriativos ou de afirmação social. Sou sincero, prefiro não ter o prazer que retiro daí só por retirar, afinal de contas é como comer um bolo. Sabe sempre bem, mas não é muito melhor quando vocês têm fome e retiram prazer de cada pequena dentadinha?
Afinal de contas acho que gosto muito de sexo. Desde que com boa companhia, sem pressas, com qualidade, dois corpos entrelaçados calmamente, respirações pesadas do esforço, silvos de prazer, palavras carinhosas ou sem palavras mas olhares revirados e intensos de fogo. Sim prazer, sexo é isso, em suma só acho é que não se retira o prazer dele quando se faz por fazer ou por desporto....
Sexo é i wanna make it with chu, anywhere, anytime, again and again and again and again...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

História

Aos 17 anos já tinha saído da escola, com a escolaridade mínima: o 9º ano. Tinha sido sempre adorado por todos os colegas, jogava razoavelmente futebol, tinha começado a fumar aos 12 anos atrás da escola e por volta do 7º ano já levava e vendia algumas drogas leves aos putos que andavam com ele.
Tinha uma namorada já há uns anos e desde cedo tinham relações sexuais. Ela era bonita e tinha 16 anos, todos os gajos da escola andavam atrás dela o que aumentava ainda mais o ego dele.
No bairro onde morava toda a gente o conhecia e tinham respeito por ele, não por uma única vez chegou a andar armado e a participar em assaltos ou carjacking. Aos 17 já tinha vivido mais que muitos com 30.
Para ele o estudo era uma "cena cultural" que não interessava a ninguém, queria ver-se livre daquilo e foi o que a sua namorada fez por influência dele. Começou a trabalhar numa confecção em que ganhava pouco mais que o ordenado mínimo.
Ele por sua vez andava agora nas ruas a vender uns telemóveis roubados, passava drogas e fazia umas corridas num carro que tinha comprado e quitado há pouco tempo, mesmo sem carta. A maioria do seu tempo era passado no café a jogar cartas, ou ver futebol com os amigos.
Um dia a sua namorada trouxe a notícia que estava grávida. Era altura de conhecer os pais dela. Foi jantar a casa deles:
- Então tens emprego?
- Umas coisas em vista.
- Como é que vais sustentar a criança.
- Cá nos havemos de arranjar.
Naquele momento sentiu que era altura de arranjar um emprego e começar a ser um homem a sério. Procurou em todos os jornais, telefonou para todos eles, mas ninguém procurava pessoas com a formação dele e a única coisa que conseguiu arranjar foi um emprego com o ordenado mínimo num armazém. Mas, o vício estava lá. Ele precisava de mais dinheiro. A casa que tinham alugado, a gasolina para o carro e as constantes ressacas obrigavam-no a comprar mais droga. Precisava de mais dinheiro. Um dia foi apanhado pelo gerente a ressacar na casa de banho de serviço com o garrote e a seringa espetada. Não foi o fim. Ainda havia pessoas boas no mundo. Pouco tempo depois, foi obrigado a roubar do seu próprio trabalho. Foi apanhado e despedido. A criança estava para nascer.
Numa das suas corridas, para ganhar algum dinheiro, acabou por ter um acidente. Não tinha carta nem seguro. Foi responsável por uma morte. Um assassinato. A criança nasceu.
Enquanto se despedia da mulher e da filha recém nascida vigiado por 2 guardas prometeu a si mesmo: Não mais, o meu filho há-de ter educação, não vai andar nas ruas e vai ter o meu amor a apoiá-lo em tudo o que eu puder, não, ele não vai ser igual ao pai, vai ser muito melhor!
Tinha nascido ali uma nova vida nas raízes de uma planta sem esperança e morta para a vida.

domingo, 20 de julho de 2008

J.F. Kenedy

Caríssimos leitores, mais uma vez escrevo ao meu amigo Diogo a falar de algo que me tocou.
Na passada sexta, dia 6 de Junho, a Dois transmitiu um documentário sobre uma das mais importantes figuras da América: Robert Kennedy. Não confundir com o assassinado irmão, J.F. Kenedy. Ignorância minha sobre a história deste notável Senhor desconhecia a sua cruzada pela paz e pelas igualdades sociais.
O conturbado percurso político de J. F. Kennedy, no qual Bob teve grande influência, pois sempre o apoiou, foram a sua sombra durante a sua presidência do estado de Nova York e o inicio da sua candidatura à presidência dos Estados Unidos da América. Mas as suas ideias revolucionárias e inovadoras foram a chave do seu sucesso. Bob Kennedy acreditava que tínhamos que enfrentar os problemas de frente para os resolvermos, que tínhamos que estar nos locais para perceber os verdadeiros problemas; e ele não só falou como fez: foi ao interior Mississípi constatar que havia pobreza, foi ao estado do Alabama ouvir os lamentos dos que passavam fome dizendo “Gastamos 65 biliões de dólares em armamento no último ano, 3 biliões em cuidados com os nossos cães, se me perguntarem sobre a fome que aqui vejo, eu digo que podemos fazer algo mais para combater isso” (adaptado).
Defensor assumido da retirada das tropas Americanas do Vietname, teve já no mandato presidencial do seu irmão grande influência na crise dos mísseis cubanos, podendo ser atribuídas a ele as negociações pacíficas, ao contrário de uma invasão a Cuba. Defendia os pobre e a inserção dos negros, procurava melhores condições de vida para ao seu povo, fazendo dos seus ideais o seu porta-estandarte conquistou o carinho dos americanos. Como ele dizia:”Some men see things as they are and say 'Why?' I dream things that never were and say, 'Why not?’” (“As pessoas olham para o que existe e perguntam porquê, eu sonho coisas nunca antes vistas e penso: porque não?”)



Sempre com um ar divertido, mas muito decidido ganhou um lugar no coração dos americanos e um pouco por todo o mundo. Na noite em que conquistou o estado de Chicago, estado fundamental para a sua candidatura chegar à Casa Branca foi alvejado à saída do comício. Quando estava a ser assistido apenas teve tempo de perguntar à sua esposa “Há alguém ferido?”. Espanta-me até como numa hora destas ele se preocupava com os demais…
Era apenas um pouco da vida deste sonhador e visionário que eu gostava de partilhar com vocês. A par de Luther King, Bob Kenedy foi, para mim, uma das mais importantes figuras a década de 60 na defesa dos direitos humanos e na procura da igualdade social e racial. Quer um, quer outro tinham um sonho. Apelo a todos vocês que o ajudem a realizar. Abraços

sábado, 19 de julho de 2008

Manias


Com excepção de um ou dois blogs que conheço e visito com relativa frequência, a maioria está infestado de manias.
Eh pá! Aquele gajo tem um contador! Também vou pôr.
Cum catano! Estes participam no SuperBock Best Blog, também quero!
Ainda por cima a maioria dos escritores apanhou a mania de que são colunistas perversos e capazes de subjugar tudo ao seu poder crítico bem ao estilo do Ricardo Araújo Pereira. Nem como a Odete Santos quanto mais como esse senhor?
Os blogs que vejo por aí, criticam, criticam e no fim acabam por não dizer absolutamente nada. Ao acabar de ler um texto chego ao fim e perdi 5 minutos da minha vida, porque a verdade nua e crua é que eles não acrescentam absolutamente nada ao que eu já sei e só pegam em temas mais que batidos e falados.
Mas nem vou entrar por aí, isso são manias dos escritores. Agora o que eu acho que é uma mania irritante do blog como conjunto de pessoas é a constante obsessão por número de visitas. Todos os blogs agora têm contador. Todos eles fazem estatísticas do número de visitantes e parece que só servem mesmo para aumentar a auto-estima dos bloggers, porque a utilidade daquilo resume-se a um zero redondo! O que interessam os números? Este blog até podia ter 1000 visitas por dia que não era isso que ia melhorar a qualidade dos meus textos.
Outra muito recente foi a mania do concurso SuperBock. Estou farto de receber e-mails a dizerem para votar em determinado blog em determinada área. Acham mesmo que eu vou votar em algum blog só para que o ego de determinado blogger saia maior quando o concurso acabou porque acabou em respeitoso 3º lugar? Sim, porque os blogs que vão ganhar aquilo têm uma qualidade superior e não vão precisar de andar a mandar e-mails dinâmicos para toda a gente a pedir "um voto por favor!". Além disso já votei e acho que bem.
Mas tudo bem, afinal este mundo Blogger de que faço parte há já algum tempo também se rendeu ao "razoável e medianozinho" desaparecendo as discrepâncias tornando-se numa comunidade laica. Já não há grandes blogs, já não há grandes escritores nem grandes ideias neste mundo que era tão agradável quando elas existiam. Agora há blogs razoáveis, com bom aspecto e com textos giros. O que me descansa é que ainda há dois ou três sítios em que consigo ver alguma coisa diferente e interessante, cabe a vocês descobri-los.
Peço desculpa aos bloggers que se possam sentir afectados com as minhas palavras, se calhar até eu próprio estou a dar um tiro no pé, mas é a minha opinião e quando não puder dar a minha opinião num blog aí sim, isto vai estar de rastos.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Sonhos II



Sonhos? Com os meus viçosos 18 anos devia estar inundada deles ate ao tutano! A verdade, e não sei se é apenas uma fase, sinto cada vez mais que os meus sonhos se vão limitando, tornando cada vez mais restritos. Não sei ate que ponto não confundo sonhos com ambições. No inicio da minha adolescência achava-me extremamente nova e que tinha o mundo inteiro a minha frente, um infinito de possibilidades que podia escolher. Profissionalmente poderia ser tudo o que quisesse, escolher a área que bem me apetecesse, sem qualquer limitação! Olhava para as pessoas que me rodeavam sempre cansadas e extenuadas dos seus empregos e sempre pensei que não seria assim! Seria livre… livre de todos aqueles aborrecimentos, frustrações, perdas de sonhos e sentidos! Seria diferente! Mas as vzes acordo de manha e descubro que sou so mais uma, vivo na constante impossibilidade de ser eu própria, tenho a sensação de que vivo aprisionada numa imensa teia de normas e de expectativas para as quais me sinto incapaz! Sinto-me envelhecer, sinto que estou a perder a inocência, estou ate a esquecer muitas das coisas em que acreditava e que ambicionava para mim. Acho que já não posso falar em sonhos, não da mesma maneira como os sentia até agora!

Terminei este ano o 12º e houve duas disciplinas que mudaram a minha vida: historia porque alterou completamente a forma como vejo o mundo principalmente no plano da política internacional e que me leva a compreender toda uma serie de questões que vêm desde o inicio da Guerra Fria ate aos nossos dias e que me motivou a ler o 1984 escrito por George Orwell em 1948, uma profecia arrepiante sobre uma sociedade totalitária com semelhanças assustadoras com a nossa sociedade actual, que me leva a questionar muitas vezes sobre o futuro que nos aguarda; a outra e português, porque me deu a conhecer o Mestre de todos os poetas, Alberto Caeiro e também Saramago e Eça de Queiroz, autores que nunca mais esquecerei pela sua genialidade, inovação, cultura e arte! Tudo isto me separa do passado e me transforma numa pessoa diferente, mais atenta, mais crítica, mais selectiva, mais aberta…mas traz também consigo, aquela que agora começo a compreender: a dor de pensar de Fernando Pessoa! Talvez por isso goste tanto de Caeiro, por ser o único que consegue abstrair-se, consegue ver com a inocência e constante novidade das coisas, por poder dizer “os meus pensamentos são todos sensações”!! Adorava também conseguir ser assim, contemplar a natureza, descobrir novidade em todas as coisas, e que isso fosse o bastante para alcançar a felicidade, no fundo, ser verdadeiramente livre ! A liberdade e de todas a mais bela das utopias! Porque, quer queiramos quer não, Imprescindível à liberdade é a solidão!

Já não sei bem por onde hei-de de procurar a felicidade, talvez me contente em ser moderadamente feliz ou então … na ilusão de que o sou!

AnA

Como é que ia deixar de publicar o teu texto? Como é que não havias de ficar minimamente chateada? E como eu concordo contigo Ana...este texto está para mim como o Douro está para o Porto.

Sonhos


Há um bocado, recebi um comentário que dizia que escrever não era o tipo dessa pessoas e que não queria intrometer-se nas minhas memórias. Por favor, este blog é de todos que o leêm e só peço que dentro da ideia geral deste blog e com um texto relativamente bem inscrito me enviem para o e-mail. Não estou aqui para julgar textos de ninguém. Só quero é que este blog continue a ser o sítio onde quando acordo de manhã e não tenho nada para fazer, venho escrever o que me vem à cabeça. Este blog faz-me lembrar um dos livros do Harry Potter em que Dumbledore tinha um "Pensatório" (não me lembro do nome) em que colocava os pensamentos que não queria que ocupassem a sua mente.
Hoje venho falar de sonhos. E gostava que me enviassem textos a descrever os vossos.
A sociedade em geral impõe-nos certas regras que geralmente se reflectem nos nossos sonhos. Afinal de contas, e para quem tenha uma noção de senso comum, é capaz de ser das coisas mais normais e empíricas que existe. Acho, sinceramente, que nem vale a pena lutar contra isso, é algo que nos é imposto, como a cor da pele, a cor do cabelo ou olhos ou o nosso aspecto físico em geral. Não devemos ficar preocupados com isso e devemos aceitar o que nos rodeia, embora nem sempre pensemos assim.
Bem o que a sociedade sempre me disse foi: "O teu sonho é este: acabar com a fome no mundo, acabar com as guerras no mundo e ser feliz." Felizmente nos últimos anos tenho conseguido afastar-me das condições que a sociedade me impõe e consegui ter um filtro que muitas vezes leva a que as pessoas digam que sou um banana, convencido entre outras coisas.
Retomando, não concordo com o que a sociedade me disse, tirando: "O teu sonho é: ser feliz."
Claro que gostava que a fome no mundo acabasse, e que não houvessem guerras, mas digo com a maior tranquilidade que são muitas vezes situações necessárias.
Há uns tempos tive uma discussão com um colega sobre se ao morar numa "cabana" não seria mais feliz. Eu disse que sim, mas que não. Felicidade por muito que eu me afaste do senso comum, envolve aceitação, acesso a bens, dinheiro e responsabilidade. No geral contento-me com pouco, e é isso que eu acho que é felicidade: o equilíbrio perfeito entre o que queremos e o que temos. Não quero ser descomunalmente rico, ter a esposa mais linda do mundo e inteligente, até porque eu não sou o rapaz mais bonito e inteligente do mundo, não quero ser adorado por toda a gente nem ter tudo aquilo que posso imaginar.
Quero ser moderadamente feliz sem espaço para grandes euforias. Sim, para mim felicidade é ignorância, é uma casa no campo, um emprego com alguma responsabilidade, dinheiro para satisfazer as necessidades de uma cambada de filhos, uma esposa feliz, um carro velinho e uma cadeira de baloiço na varanda virada para o poente com alguns livros.
Como veêm não peço muito da vida. Ou serei eu o tipo de gajo mais insatisfeito e que estou a pedir aquilo que é totalmente impossível nos dias que correm? Se calhar é mesmo esse o caso. Venha daí o futuro e que me traga a felicidade que for possível.

Boca do Inferno


Por esta altura de férias e depois de um ano de faculdade extenuante, acho que não só para mim, mas para todos os meus colegas que se aplicaram minimamente, comecei a ler de novo. John Steinbeck, Hemingway e Kafka. A conselho de algumas pessoas comprei também outros livros bastante pesados filosoficamente e claro, comecei a ler. O problema é que ao fim de 10 páginas começava a perder o fio à meada e tinha que parar. Bem, isto não era de todo normal, geralmente leio imensas páginas sem o mínimo sinal de cansaço, mas agora não é bem assim. Resultado, livros para a estante do "por ler" e peguei em coisas mais leves. Pedi emprestados a um amigo meu a Boca do Inferno e a Caixa em forma de coração de Joe Hill, que me parecem bem mais softcore. Nem sempre conseguimos manter uma atenção de leitura que nos exigem livros filosóficos ou com tendência para tal.
Neste momento estou a ler a Boca do Inferno. Vou sensivelmente a meio e digo-vos, o Ricardo Araújo Pereira é um génio. Mas esta, é a minha opinião muito, muito pessoal. A título de exemplo, o meu pai tem certas dificuldades em perceber esse senhor.
Génio ou não, a forma como ele critica tudo e todos, desconcerta-me. Geralmente sou eu que critico tudo e todos, mas não desta forma tão literal, embora use muitas vezes os mesmos esquemas e trapaças, como a ironia, o sarcasmo e a auto-crítica. O Ricardo não tem medo, nem conhece limites do aceitável. Para ele não há assuntos intocáveis.
Tenho lido com muita calma. Não mais que 50 páginas por dia, ou seja cerca de 20 opiniões por dia e espaçadas para saborear a ironia deste homem. No entanto, já disse isto a muitos colegas meus, detesto pessoas que só criticam. E o Ricardo, ainda que muitas vezes com toda a razão só critica e não põe um único aspecto positivo num artigo de opinião.
Notem que eu estou a tratá-lo como "o Ricardo", é esquisito, mas parece que andei com ele na escola, acompanho o trabalho dele desde os tempos da Sic Radical e sempre fui fã dele como do Tiago, do Zé e do Miguel. Peço desculpa se acharem que estou a ser muito pessoal.
Mas voltando à nossa conversa, retiro o que disse sobre o Ricardo ser um génio. Para ser génio ele tinha também que dizer algo de positivo sobre qualquer coisa. Até agora não vi nada, e isso começa-me a desmotivar para o resto do livro. A onda de negativismo que emana daquele livro é enorme, e se o país já está mal, se as pessoas que o governam e que têm um papel tão importante na sociedade são tão más, acho que não é preciso aumentarem o meu pessimismo.
O que vos aconselho é: se quiserem rir-se um bocado e não se importarem de levar com umas horas de crítica nua e crua, feita com arte, com cultura e acima de tudo ironia, então aconselho vivamente. Se, por outro lado, estiverem mais interessados em melhorar as vossas férias e ler algo leve e divertido não entrem por aqui.
Mas que o Ricardo Araújo Pereira revela com a idade que tem, um dom tão grande para a escrita, uma cultura tão acima da média e uma imaginação táo fertil, lá isso revela. E isso só augura coisas boas. Desejo-lhe as maiores felicidades e vou continuar a seguir atentamente a sua obra.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Amor


Sou um ouvinte assíduo de rádio, talvez porque o meu carro é velhinho e não tem leitor de cd's. Mas, acho que não é por aí, já que há uns tempos ia comprar um, mas no momento que estava na caixa para pagar e com o rádio na mão desisti e fui pô-lo de novo na prateleira. Como a minha mãe às vezes me diz devo ser de outro tempo: adoro rádio e cassetes, gosto de ouvir as outras pessoas e no geral gosto das coisas mais antigas e fora de moda, isso reflecte-se no que visto, no que como e no que faço.
Bem, mas deixando de divagar, ontem ouvi na rádio que havia muitas formas de amor:
  • Conexão ou amizade (intimidade)
  • Infatuation ou limerence (paixão)
  • Empenho amoroso (empenho)
  • Amor romântico (intimidade + paixão)
  • Compromisso amoroso (intimidade + empenho)
  • Amor Fático (paixão + empenho)
  • Amor Comsumado (intimidade + paixão + empenho)
E depois dependendo dos vários estilos:
  • Eros (amor) - um amor apaixonado fundamentado e baseado na aparência física
  • Psiquê - um amor "espiritual", baseado na mente e nos sentimentos eternos
  • Ludus - o amor que é jogado como um jogo; amor brincalhão
  • Storge - um amor afetuoso que se desenvolve lentamente, com base em similaridade
  • Pragma - pragmática amor, amor que visualiza apenas o momento e a necessidade temporária, do agora.
  • Mania - amor altamente emocional; instável; o estereótipo de amor romântico
  • Agape - amor altruísta; espiritual.
Acho que já experimentei todos eles de todas as formas possíveis. Já tive amor brincalhão, sexual, temporário, instável, romântico, entre outros. A conclusão a que cheguei é que nenhum deles me satisfaz. Sou o tipo de homem tipicamente insatisfeito com todas as relações que tem. Ter 19 anos e ainda não saber o que quero da vida não ajuda nada acho eu. Nesta idade, raras excepções, somos extremamente imaturos.
Mas, também vos sou capaz de dizer, que sou fã do cinema português, embora como a todas as pessoas socialmente do meu nível e com o mesmo tipo de formação às vezes me chateiem um bocado porque ultrapassam o meu nível de compreensão. Sou fã da Lúcia Moniz, do Diogo Morgado, do Diogo Infante, Catarina Furtado, Medeiros entre muitos, muitos outros. E, geralmente na cinematografia portuguesa, as paixões são platónicas, um estilo Agape misturado com Psiquê e sim, é isso que eu procuro de certa forma. Com a idade que tenho já passei por tantas experiências doutros géneros que o que me falta agora é realmente isso.
Lá está podia estar para aqui a dizer o que uma pessoa como eu procura numa relação, mas primeiro ia desiludir a minha namorada, porque claro, a nossa relação não é perfeita e depois ia ser a coisa mais complicada do mundo descrever coisas que só se sentem. Embora tenhámos o dom da fala, dado por Deus ou aleatoriamente recebido por uma mutação genética não interessa, não conseguimos exprimir tudo por palavras.
Já estou a divagar de novo. Durante o programa de rádio um senhor ligou e deu a sua opinião. Os tipos de amor, tudo bem que existam, mas o que importa é a conquista, a sensação de objectivo cumprido, a sensação de "andar atrás", isto em traços gerais. E eu concordo. O defeito da maioria das relações que tive e que existem por aí é: "Ok...já consegui e agora?", o que leva a uma imensa desmotivação por parte de um ou dos dois elementos da relação. É então preciso prolongar isso por mais tempo. Como? Não sei, mas de certeza que existe uma forma.
Só para rematar. Já viram se eu tivesse um leitor de cd's os pensamentos magníficos (ou não) que perdia? Ouçam rádio no carro e não música empacotada. Mas disso falo outro dia.

Viagens


Nunca tive dinheiro para viagens ao estrangeiro nem grandes possibilidades para tal, não que isso me deixe triste: com quase 19 anos tenho o mundo à minha frente e se começar a sair do meu país por volta dos 25 ainda tenho muitos anos para ir onde gostava. Tenho colegas que já visitaram meio mundo, no entanto se lhes pedir para contar uma história sobre um sítio ou um lugar eles não a sabem contar.
Aos poucos sítios que tive oportunidade de ir guardo imensas recordações. Acho que viajar é como as refeições. Se vocês estiverem habituados a comer muito bem e a melhor comida durante imenso tempo isso vai levar a que não retirem o prazer de cada refeição. É preciso saborear e a maioria das pessoas não faz isso.
Quando digo saborear, são aqueles pequenos sabores e fragrâncias que nos deixam uma marca para a vida. Nas viagens o mesmo se passa, mesmo que seja uma viagem de uma hora de carro ou até mesmo a pé, podemos retirar dela um prazer que numa volta ao mundo muita gente não retira. Foi o que se passou há uns meses mas só hoje escrevo o que por si só é sinal de que me lembro: depois de uma noite cheia peguei no carro e meti-me a caminho de casa pelo meio da baixa do Porto. Escusado será dizer que era uma noite fria e cerrada como vocês devem imaginar e a estrada estava vazia. Não se via ninguém na rua. As árvores largavam pequeninas flores brancas que flutuavam no ar com o vento. Dentro do carro estava quente e na rádio emitiam flashbacks de músicas de que eu já não me lembrava. Acho que foi uma das viagens que embora tão pequena não vou esquecer. Digo-vos, senti-me tão parte do Mundo naquela meia hora que durou a viagem que acho que não a trocava por nada.
Ontem passou-se o mesmo. Em direcção a casa, naquela altura que o sol já começa a descer e o dia desiste de queimar a pele, conduzia devagar, encostado à direita e sem pressas. Tinha tempo, o dia estava a acabar e por mais depressa que andasse isso não me ia adiantar nada. Não tinha horas nem preocupações naquele momento. A rádio mais uma vez desempenhou um papel essencial com uma sequência de músicas espectacular. Ez Special, Incubus, Linda Martini e Goo Goo Dolls, assim que eu me lembre por alto.
Foram cerca de 20 minutos que não voltava a trocar por nada. Debaixo daquele sol mole, com sal na pele e cansado estes são momentos que não se repetem por muitas vidas que tenhámos.

domingo, 13 de julho de 2008

Filhos

Ontem recebi uma notícia que me chocou um bocado, não que já não tenha recebido outras parecidas, mas desta vez tocou-me mais que o normal.
Pelos vistos um rapaz, ainda que não o conheça bem, vai ter um filho já na próxima semana. Bem, nada de mais mas ele é só um ano mais velho que eu. Sou sincero, isto intimida-me.
Segundo ele: "Mais cedo ou mais tarde ia ter um filho, se tem que ser agora então é.", mas vá lá ponham-se na pele de um adolescente e agora imaginem-se com uma criança nas mãos. Não, não é o vosso primo, é um bebé pelo qual vocês vão ser responsáveis para o resto da vida.
Primeiro e antes de tudo, ainda a estudar, como vai ser para sustentá-lo? Esta é a pergunta mais óbvio sem dúvida e se calhar a mais complicada de resolver a curto prazo mas, há outras:
Que educação iam dar-lhe se nem vocês próprios se podiam considerar com a educação completa?
E quando ele vos perguntasse, um dia mais velho, se o nascimento foi propositado, vocês tivessem que dizer que ele tinha sido um acidente?
Como é que ia ser quando no auge da vossa juventude, por volta dos 25 anos, quiserem sair à noite ou conhecer alguém? E supondo que saíam, como reagiriam quando uma rapariga viesse ter convosco a perguntar se queriam tomar um copo , sabendo que são responsáveis por uma criança e uma mãe?
Sim, porque aqui temos que pensar na mãe. Ela é a parte mais afectada numa situação destas. Aos 20 anos por muito que digam que gostem de uma pessoa e namorem com ela há bastantes anos isso não quer dizer que a relação seja para uma vida. Muito pelo contrário, já se vê que hoje em dia, as relações são muito precipitadas e que nada é para uma vida.
No fim vocês podem ser responsáveis por estragar tanto a vossa vida como a de mais duas pessoas. Espero muito bem que não seja o caso e desejo todas as felicidades ao casal, mas que vão enfrentar muitas dificuldades é certo e o mais provável é não conseguirem ultrapassar todas elas, pelo menos de alguns casos que conheço ainda não vi ninguém que o conseguisse.
O que peço é que tenham cuidados redobrados. Tudo bem que estes casos acontecessem, e não reprovo os casos em que as pessoas não estão no domínio da situação, no entanto, falhas por irresponsabilidade são completamente reprováveis.
Ter filhos é óptimo, pelo menos na minha opinião e eu quero tê-los, mas apenas devemos pensar nisso em alturas que possámos assegurar o melhor futuro para as crianças. E não me parece que aos 20 anos esse seja o caso.

Peso

Em menos de 24 horas vou para o meu 5º post. Sinto-me bem a escrever como já tinha dito.
Ontem fui jantar com amigos de longa data. Durante o jantar veio à baila o meu apetite anormal, já que desde que me conheciam de pequeno e nunca fui de comer muito nem depressa. Quando era pequeno disseram bem. Por esta altura o ano passado pesava uns raquíticos 59 Kg's. Não estava mal, mas para alguém da minha idade e altura era realmente pouco. Ou melhor, talvez até fosse normal, mas com a actividade física que tinha era realmente pouco.
Passado pouco mais de um ano peso agora 69, um número bonito e generoso. Mas quando disse que pesava mais 10 Kg's desde a última vez que me tinham visto ninguém acreditou. Claro que existe a grande desculpa de ter um cabelo enorme e isso de certa forma atenuar um bocadinho o ganho de peso. Mas não é sobre o meu aspecto que quero falar.
Comparativamente ao ano passado tenho muito menos actividade física. Está claro. No entanto, e embora esteja mais pesado, sinto-me muito melhor. O que quero dizer é que um bocadinho de excesso de peso nunca fez mal a ninguém. Se me perguntarem se me olho ao espelho, sim olho, não sou hipócrita e se me perguntarem se gosto do que vejo, sim gostava há um ano e gosto agora. Acho que os 10 Kg's não se notam por aí além e se isso melhora a minha saúde consideravelmente, então qual o problema?
O que quero dizer é que um homem tem que ter peso, tem que ter físico para aguentar uma possível doença e alguém com um défice de peso como eu tinha não está preparado sequer para apanhar uma gripe.
A questão não é se é bonito ou não. Geralmente não ligo muito à forma do meu corpo nem do das outras pessoas. O que interessa é sentir-se bem connosco próprios. Se isso é sinónimo de anorexia ou obesidade o caso já é outro. Cada vez mais os meios de comunicação social mostram ideiais que não são os reais, assunto para muita discussão.
Resultado, libertem-se desses cordões que a sociedade vos impõe. Ao fim ao cabo eu estou-me nas tintas, para o meu peso e para o que as pessoas possam pensar. Sinto-me bem e isso é que importa. Tenho um amigo que me fascina: tem um excesso de peso generoso e a forma como ele espalha confiança na rua e na praia deixa-me de boca aberta. Admiro-o. É muito difícil abstrairmo-nos dos princípios impostos pela sociedade mas ele consegue-o de uma forma incrível.
Conclusão: Sintam-se bem. O peso não importa. As pessoas são bonitas não só fisicamente mas também pela aura de confiança e felicidade que emanam.O títuço da foto é "Real Beauty". Se concordo ou não isso não é aqui chamado. Gostos são gostos. Mas a verdade é que não é preciso uma rapariga ter 86-60-86 para eu gostar dela.

sábado, 12 de julho de 2008

Escrever

Hoje actualizei três blogues que tenho sobre minha alçada. O Fugem, este e o Blog. Cada um um estilo totalmente diferente. E sabem que mais? Sinto-me mesmo bem a escrever. Claro que sei que não escrevo nada de mais, mas dá-me realmente um gozo enorme carregar nas teclas ou pegar num lápis embora também reconheça que não exista nada de excepcional em fazê-lo. Mas, para mim escrever é algo mais. É um bocado como a música: não podemos interpretá-la como sendo um conjunto de frequências auditivas de uma forma extritamente física e ciêntifica. É preciso interpretá-la como uma forma de expressão. Assim é com a escrita. Não é apenas uma actividade cognitiva e racional, é também uma actividade espiritual.
Para mim escrever é como a letra da música que está aqui ao lado, para já, dos Drive e da Lúcia Moniz. É uma luta constante contra a ignorância. Para mim é uma tentativa desesperada de me tornar alguém mais racional e capaz de forma a conseguir amar o que me rodeia. Escrever ao fim ao cabo é uma forma de comunicação tal como a fala e tão essencial para o entendimento como ela.
Se ao falarmos estámos a cultivar o nosso pensamento, também ao escrever o fazemos.
O que eu quero dizer é:
Escrevam, escrevam muito, só vos faz bem e se puderem elogiar na vossa escrita em vez de criticar tanto melhor. Vão aprender a conviver muito melhor com o mundo e com vocês próprios.

Saudades

O João tem escrito "Growing old is mandatory, growing up is optional." é uma frase bonita e para mim totalmente correcta.
Hoje passeava pela aldeia, com a guitarra nas costas depois de uma aula de música, estava um sol lindíssimo, ou seja, um daqueles dias excepcionais: sol, passarinhos a cantar, borboletas, abelhas e campos floridos. Idílico. Apercebi-me então que já não tenho a idade que tinha, embora tenha agora muito perto de 19 anos e seja novo, sinto que pelo menos um quarto da minha vida já era e que devia apreciar aquele momento, ainda que um simples passeio de 40 minutos.
Já percorri aqueles caminhos com amigos, com cães atrás, de bicicleta, de carro, chateado, mal-disposto, alegre e feliz. De todas as formas possíveis mas tudo pertence ao passado. Tenho saudades do tempo em que apareciam 20 pessoas para jogar futebol de 5 só com uma mensagem, nesse tempo os telemóveis eram úteis. Tenho saudades das risotas, da mistura de idades que havia, das raparigas que apreciávamos discaradamente e de tempos que já eram.
Acusaram-me há uns tempos de ser criança, de não me saber comportar e ser estranho. Acho que foi um exagero pegado, mas se fosse a mais pura verdade eu não me importava. De dia para dia vamos perdendo aquele gostinho tão bom de ser criança, de não ter responsabilidade e os amigos vão-se afastando. Isso eu não quero.
Sim, porque ao tornarmo-nos adultos, ficámos mais fechados sobre nós próprios, temos receio de ser magoados e o nosso círculo de amigos vai-se fechando, apertando e colocando de fora aqueles que não mostraram a amizade quando deviam. Tenho saudades da altura em que jogava futebol com 20 amigos. Hoje se convidar alguém para jogar futebol, aparecem 10 que nem sequer conheço. Sei muito bem que a contingência é outra e que muitos trabalham e outros já têm outras obrigações como família.
Tenho saudades de ser criança, ou melhor, gosto de ser criança, afinal de contas só tenho 19 anos, ainda só sou um adolescente cheio de borbulhas e não tenho de forma nenhuma de me comportar como um adulto.
Em suma. O que me preocupa são os mais novos. Nunca vão ter uma infância tão feliz como eu tive. Muito bem que tive desgostos amorosos, levei porrada e em muitas alturas fui infeliz, mas o saldo é absolutamente positivo. Afinal de contas não é isto que nos prepara para a vida? Acho, e afirmo-o sem medo, que as novas gerações não estão preparadas para a vida como ela é, mas isso vai ser tema para muito discussão noutros dias.
Hoje só digo: Tenho saudades daqueles tempos que muita gente ao ler isto vai saber quais são. Aqueles tempos em que growing up nem era uma preocupação.



I don't waste my time becoming a casualty of society. Diziam os Sum 41. What's my age again perguntam os Blink. Saudades do Punk!